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segunda-feira, 23 de março de 2015

O real sentido da liberdade

Pêssach é a festa da libertação. A passagem da totalidade de um povo, da escravidão para a liberdade. Ou melhor, a transformação de uma multidão de escravos em um povo livre! Livre, para quê? Para seguir qualquer rumo? Para que cada um escolhesse o caminho que lhe parecesse mais apetecível? Para reproduzir a degeneração da sociedade onde fora escravizado? Não. Livre para aceitar a missão de praticar a justiça, defender os órfãos, as viúvas e todos os oprimidos, alcançar os mais altos padrões de moral, dignificar a família e difundir o monoteísmo ético para toda a humanidade.

Uma missão inimaginável ante os padrões de iniqüidade, imoralidade e injustiça vigentes naquela época. Um caminho cheio de obstáculos a ser seguido, que se estende na dimensão do tempo, entre avanços e recuos, e que continua em nossos dias.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A Bíblia Hebraica contém História?

Autor: Joseph Kelly
Tradução: Leonardo Felicissimo
Original: Kolhaadam

A resposta para a pergunta – A Bíblia Sagrada Contém História? – em última análise, depende de como se entende o conceito de história. Este é um assunto complicado, algo que eu não estou interessado em abordar aqui. Meu interesse é simplesmente reconhecer que é preciso ter uma definição estreita da história, se o que se pretende é responder “não” para a questão proposta.

Existem inúmeros fatores que são relevantes para a questão. Eu particularmente me sinto intrigado pelas numerosas referências na Bíblia Hebraica de fontes literárias extra-bíblicas:

1. O Rolo das Guerras de YHWH (Nm 21.14)

2. O Rolo de Jashar (Js 10.13; 2 Sm 1.18)

3. O Rolo dos Atos de Salomão (1 Rs 11.41)

4. O Rolo das Crônicas dos Reis de Israel (1 Rs 14.19; 15.31; 16.5,14,20,27; 22.39; 2 Rs 1.18; 10.34; 12.19; 13.8; 14.15,28; 15.11, 15, 21, 26, 31; 2 Cr 33.18)

5. O Livro das Crônicas dos Reis de Judá (1 Rs 14.29; 15.7, 23; 22.45; 2 Rs 8.23; 14.18; 15.6, 36; 16.19; 20.20; 21.17, 25; 23.28; 24.5)

6. A Midrash do Profeta Iddo (2 Cr 13.22)

7. O Rolo dos Reis de Israel (1 Cr 9.1; 2 Cr 20.34)

8. O Rolo dos Reis de Judah e Israel (2 Cr 16.11; 25.26; 27.7; 32.32; 35.26-27; 36.8)

9. Obra sem título escrita por Isaias sobre um personagem não proeminente no livro bíblico de Isaías (2 Cr 26.22)

10. A Midrash do Rolos dos Reis (2 Cr 24.27)

11. O Rolo dos Registros de seus Pais (Ed 4.5)

12. O Rolo da Genealogia dos que Subiram Primeiro (Ne 7.5)

13. O Rolo das Crônicas (Ne 12.23)

14. O Rolo das Crônicas (Et 2.23)

15. O Rolo das Crônicas dos Reis de Média e da Persia (Et 10.2)

(“Rolo” é a tradução do hebraico ספר, embora o hebraico dê idéia de uma inscrição ou algum outro tipo de meio de escrita. As versões se referem a estas obras como livros, o que é um anacronismo lamentável)

Quais são estas fontes, e elas de fato existiram? Tais fontes são características de que vemos ser composto preservado em culturas vizinhas onde uma herança literária da Idade do Ferro foi preservada. Definitivamente, falar além disso vai além da evidência disponível. No entanto, a evidência disponível sugere que algumas destas obras foram provavelmente compostas, especialmente em circulos reais no antigo Israel e Judah.

Naturalmente, isto não se diz do caráter de tais fontes. Elas apresentam seu material de um modo desinteressado e empenham-se pela objetividade, ou são elas ideologicamentes motivadas e tendenciosas em sua apresentação? Questões como estas levantam interessantes e importante caminhos de investigação.

Todavia, se ela utiliza material arquivado no antigo Israel e Judah como fonte de material para as narrativas que constrói, então, em termos gerais, a Bíblia Hebraica, contém efetivamente história.